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Cachoeira do Campo

Cachoeira do Campo

Cachoeira do Campo surgiu ainda no final do século XVII, época em que os bandeirantes descobriram ouro na região de Vila Rica (atual Ouro Preto). Conta-se que teria sido Fernão Dias Paes quem primeiro se utilizou das águas de uma cachoeira situada naqueles arredores, sendo que daí derivaria o nome do local. Nas imediações não existiam minas auríferas, mas, devido ao clima ameno e solo favorável ao plantio, a localidade logo se tornou um dos pontos de apoio agrícola, de onde saíam alimentos para a efervescente Vila Rica.

Pelos idos de 1724 foi um dos primeiros povoados mineiros a receber uma ‘paróquia’, intitulada como “Parochia de Nossa Senhora de Nazareth dos Campos de Minas“.

Cachoeira do Campo e a construção da Matriz

Ao longo de sua história, Cachoeira do Campo seria palco de importantes episódios da história mineira, incluindo conflitos da Guerra dos Emboabas, e também a captura de Felipe dos Santos, o idealizador da Revolta de Vila Rica. Ali também foi construído, em 1773, um palácio para os governadores de Minas, que preferiam residir ali do que em Ouro Preto, considerada úmida e ‘agitada’.

Mas a melhor testemunha do passado desse local é sua igreja matriz, cuja construção foi documentada pelas atas das irmandades que ali existiam, principalmente a do Ssmo. Sacramento e a de Nossa Senhora do Rosário. Em uma dessas atas, há a menção a um entalhador chamado ‘Mef’ de Mattos, que teria executado a maior parte das obras dos altares. Embora por volta de 1725 a igreja já estivesse praticamente concluída, muitas outras obras de embelezamento ainda seriam acrescidas com o tempo – por exemplo, o arco cruzeiro, o coro e as pinturas do teto. Vale lembrar que todas essas obras foram financiadas pelos próprios membros das irmandades, que se esforçaram para que a igreja ficasse o mais bela possível.

A fachada da matriz passou por uma reforma no século XIX, ficando bastante simples e sem características dignas de nota. Mas em contrapartida, seu interior é de uma beleza exuberante: ali, há cinco altares na mais refinada talha dourada, esculpidos na variante do barroco conhecida como ‘Estilo Nacional Português’ – essa modalidade se caracteriza sobretudo pelos altares formados por arquivoltas concêntricas. Em Minas Gerais esse estilo é geralmente encontrado em altares de igrejas que foram construídas antes de 1730.

Como a matriz de Cachoeira do Campo foi construída ao longo de vários anos, outras variações de estilo também se fizeram presentes, principalmente no elegante coro, cujas colunas, bem como a balaustrada ondulada, seguem a variante barroca chamada de ‘estilo Dom João V’.

Atualmente, Cachoeira do Campo permanece sendo um distrito de Ouro Preto, e sua matriz é considerada uma das mais belas dentre as igrejas históricas de Minas Gerais.

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Medalhão sobre o arco-cruzeiro, contendo o símbolo da Irmandade do Santíssimo Sacramento, a principal responsável pela construção

Sobre a padroeira

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré teve origem em Portugal, surgida em torno de uma antiga imagem da Virgem cuja autoria era atribuída ao próprio São José, esposo de Maria. Segundo a tradição, no ano 361 essa imagem teria sido levada de Nazaré (Israel) para o Mosteiro de Caulina, na Espanha, e, em decorrência de uma batalha contra os muçulmanos, foi transferida para Portugal, onde, por muito tempo, ficou desaparecida. No ano de 1119, foi encontrada e colocada em uma igreja, onde passou a atrair peregrinações. A partir daí, outras igrejas foram construídas em territórios portugueses em homenagem a Maria com o título de Nossa Senhora de Nazaré. 

Em terras brasileiras, há diversas igrejas sob essa invocação, sendo que as mais célebres se encontram em Salvador, Belém do Pará, Saquarema, e Cachoeira do Campo.

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O coro da igreja foi construído alguns anos depois dos altares, seguindo o estilo Dom João V.

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Abaixo, pintura do teto da capela-mor, representando a Santíssima Trindade coroando Maria como Rainha do Universo.

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Parecer do 1º bispo de Mariana, Dom Frei Manuel da Cruz, após visita em Cachoeira do Campo, no ano de 1753

Parecer do 1º bispo de Mariana, Dom Frei Manuel da Cruz, após visita em Cachoeira do Campo, no ano de 1753

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Fonte: Patrimonio Espiritual